Priv@cidade
Fotos da família, nome da escola, nome do cachorro, trabalhos da escola, comentários em blogs, vídeos de brincadeira e painel de recados são coisas mais do que comuns no dia a dia de quem usa com frequência a Internet, não?
Sem dúvida esta capacidade de produzir, divulgar e atualizar nossas informações em tempo real com nossos amigos e familiares é muito legal. Esta é apenas uma das milhares de vantagens que a Internet traz para nossas vidas, sem falar nas pesquisas, nos mapas, nos jogos, músicas e filmes. Toda esta gigantesca oferta de coisas legais nem sempre é 100% gratuito. Mesmo os emails, os programas online, os chats e as redes sociais que usamos sem pagar nada geralmente tem um preço: nossa privacidade.
Sim, pode parecer muito exagerado, mas naquelas letrinhas pequenas dos “Termos de Uso” que assinamos, correndo e sem ler, antes de fazer algum cadastro na Internet autoriza que as empresas coletem algumas informações sobre nossa vida. De forma resumida, podemos dizer que os Termos de Uso autorizam a coleta das informações que usamos no serviço em questão, seja fotos, emails, comentários, vídeos, planilhas etc. Esta acaba sendo a “forma de pagamento” para aqueles serviços “gratuitos” que nos deixam fazer várias coisas legais sem pagar em dinheiro. É importante que você preste sempre atenção nas letrinhas pequenas para saber, literalmente, onde está entrando.
Como cada vez mais as pessoas divulgam tudo, o que gostam de fazer, onde estão, o que não gostam de fazer e onde pretendem ir, precisamos lembrar que não são apenas os amigos e familiares que terão acesso à tudo isso e, o mais importante: uma vez online…é para sempre.
A perda da privacidade na Internet é um tema em discussão em vários países e não podemos deixar de prestar atenção neste importante debate. No último dia 14 de Agosto o CEO da Google, Eric Schmidt, fez uma declaração bastante polêmica no Wall Street Journal, prevendo que os jovens precisarão mudar de nome quando ficarem adultos para se desfazerem das “travessuras e vacilos” registrados nas redes sociais de seus amigos de juventude.
O que nos assusta neste tipo de declaração é admitir, senão estimular, que os jovens se comportem de forma irresponsável e inconsequente na Internet, como se pudéssemos simplesmente deletar o passado mudando de nome. Além de ser impossível apagar o conteúdo registrado online, mudar de nome não impede que as pessoas sejam reconhecidas pelas fotos, endereço etc. Usar as redes sociais e os fantásticos recursos das Internet exige educação e cidadania pois a Internet é um espaço público, uma praça global na qual as pessoas precisam se comportar com ética. Se fizermos da Internet apenas um espaço de “pode tudo” ou de “terra de ninguém”, certamente estaremos perdendo uma incrível oportunidade para ampliar a democracia e fortalecer a construção de uma sociedade mais justa com proteção dos Direitos Humanos.
Para os pais que não entendem muito de computador nem de Internet isso tudo fica ainda mais assustador. Os pais da geração A.C (Antes do Computador) precisam estar atentos ao acesso dos filhos a este novo espaço público. O fato de não ter o mesmo conhecimento técnico dos filhos não pode inibir a navegação conjunta. A velha conversa ainda é uma ótima tecnologia.
Criança, jovem, ou melhor idade, não vacile no presente para não comprometer seu futuro na Internet. Navegue com responsabilidade e consciência para manter sua privacidade e sua reputação sempre como motivos de orgulho.
Grande abraço
Equipe SaferNet