Uma das coisas mais comuns no mundo da internet e das redes sociais hoje em dia é a proliferação de casos que envolvem ofensas e difamações nos mais variados níveis, seja envolvendo familiares, colegas de classe e trabalho, chefes e especialmente
professores.
Um fator comum nestes casos é a quase certeza de impunidade ou a falsa impressão de que existe uma grande dificuldade em ser identificado ou localizado, visto que todo o processo se passa, muitas vezes, no “anonimato” dos nicknames (apelidos) e sob os diversos artifícios usados para se “mascarar” o autor.
O que pouca gente sabe é que o processo de identificação e rastreamento é bastante simples, a partir das mais variadas ferramentas de controle disponíveis, dependendo apenas e tão somente de uma autorização judicial para que a investigação se inicie.
Um caso recente, amplamente divulgado na mídia, ilustra bem o exposto acima :
“A Justiça de Rondônia condenou 19 pais de estudantes a pagarindenizações a um professor de matemática de Cacoal (500 km de Porto Velho) que, somadas, resultam em R$ 15 mil.
O professor foi alvo de ofensas dos alunos no Orkut. Eles criaram, em 2006, a comunidade virtual “Vamos Comprar uma Calça para o Leitão”, ilustrada com a foto e o nome do professor Juliomar Reis Penna, 33. Na comunidade, dez alunos da oitava série, com idades de 12 a 13 anos, escreveram ofensas, piadas, questionaram notas e ameaçaram o professor.
“Eu ajudo a furar os pneus do Vectra dele [...] Vamos quebrar os vidros, jogar açúcar dentro do tanque de gasolina”, foram alguns dos recados deixados pelos alunos.
Condenados em primeira instância, os pais dos alunos recorreram ao Tribunal de Justiça de Rondônia. Alegaram que o fato fora apenas uma “brincadeira infantil”. O argumento foi rejeitado pelo juiz relator da 2ª Câmara Cível do TJ-RO, Edenir da Rosa, que avaliou como “grave” o teor dos comentários publicados na internet.
No recurso, os pais disseram ser “impossível” vigiar os filhos vinte e quatro horas por dia, justificativa considerada “frágil” pelo TJ-RO.
Denunciados pelo professor ao Juizado da Infância e da Juventude, os alunos reconheceram a criação da página e a autoria dos recados. Como medida socioeducativa, oito estudantes tiveram de apresentar palestras para adolescentes sobre o uso responsável da internet.”
Com base no exemplo acima, que tornou-se absolutamente rotineiro em nosso dia a dia, conclui-se que é dever dos pais, familiares e também da escola, num esforço conjunto e constante, manter um diálogo aberto e pró-ativo com os jovens, de forma que os mesmos possam entender as reais responsabilidades e consequências de seus atos, especialmente quando consideramos a amplitude que os mesmos tomam no vasto poder de alcance do universo da Internet.